Planeta Sustentável

PATROCÍNIO:
Para crianças meu planetinha

Biodiversa

Publique
o selo
no seu blog

Patauá é prazer de cama e mesa! Liana John - 28/07/2011 às 15:17

A alta
gastronomia
mundial tem duas bases, como bem aprendemos nos numerosos filmes e
programas de TV de dar água na boca: manteiga e azeite de oliva. Manteiga é
obrigatória na cozinha francesa, com seus molhos imbatíveis e o inconfundível
dourado dos bons assados. Azeite de oliva é alicerce da cozinha italiana e
mediterrânica, variada, colorida e saborosa. O resto dos óleos e gorduras não
alcança o mesmo patamar. Cozinha-se com óleo de palma (dendê), girassol,
canola, milho, banha de porco ou até manteiga de iaque, claro, mas não é a
mesma coisa. 

 

O que a manteiga e o azeite de oliva têm – e os outros não – é um conjunto de
propriedades organolépticas ideais para a culinária. O ‘palavrão’
organolépticas resume as características identificadas através dos sentidos –
cor, brilho, sabor, textura, odor – com todas suas nuances. Tudo bem
calibradinho, no caso dos dois pilares gastronômicos. 

 

Outro diferencial
é como essas propriedades mudam durante o preparo dos pratos, quando os óleos e
gorduras são expostos a altas temperaturas por períodos variados e à imensa
gama de misturas de ingredientes. Em geral, manteiga e azeite de oliva
comportam-se bem em todas as provas, enquanto aos demais sempre falta ou sobra
um grau. Mesmo quando a receita não desanda, o prato não atinge nota máxima. 

 

Existe, porém, um
óleo capaz de empatar com os dois favoritos dos grandes chefs em todos os
quesitos, na opinião do ambientalista e gourmet Roberto Smeraldi, da
organização não-governamental Amigos da Terra – Amazônia Brasileira. Trata-se do óleo produzido a
partir do fruto de uma palmeira amazônica chamada patauá (Oenocarpus bataua).
Quando prensado a frio, como se faz com os bons azeites de oliva, o óleo de
patauá entra no páreo da alta gastronomia, “com seu sabor delicioso e aroma de
mato molhado”, conforme define Smeraldi. 

 

A região de maior
ocorrência do patauá, no Brasil, é o Acre. Os frutos têm cerca de
4 centímetros e dão em cachos grandes, de 35 a 40 quilos cada. As poucas pesquisas
feitas com o óleo se concentram no Laboratório de Produtos Naturais da
Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (LPN-Funtac), sob coordenação da
farmacêutica Silvia Luciane Basso. À frente de uma equipe multidisciplinar de
10 pesquisadores, Silvia testou com sucesso a extração a frio do óleo de patauá
e enviou o produto a alguns chefs, incluindo o badalado Alex Atala (do
restaurante D.O.M., em São Paulo), e adeptos do movimento slow food (comer
devagar e com prazer, conceito oposto ao de fast food, das cadeias de lanches rápidos). 

 

Segundo Silvia,
os principais ácidos graxos do patauá, responsáveis por suas características,
são o oleico, o palmítico e o esteárico. “O óleo é amarelo esverdeado, bem
claro, e atende às exigências do Ministério da Saúde e da Anvisa quanto à acidez e ao teor
de peróxido, definidas para óleos comestíveis extraídos a frio e não
refinados”, diz. Embora Silvia incentive as experimentações gastronômicas, o uso
culinário do patauá não é o foco principal de suas pesquisas e sim o potencial
como lubrificante para camisinhas-de-Vênus, feitas com o látex das seringueiras nativas do
Acre. 

 

“Queremos
substituir os lubrificantes à base de silicone por óleos vegetais amazônicos.
Senão total, pelo menos parcialmente”, revela a pesquisadora. Dez espécies
estão sendo testadas e o patauá é uma delas. Os experimentos já entraram na
fase clínica e de testes de toxicológicos, e a perspectiva é de
obter lubrificante da floresta em 2012. O trabalho conta com recursos da
Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do governo estadual e do Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID). 

 

Com tão boas
perspectivas de cama e mesa, aos interessados do resto do Brasil resta aguardar
o dia em que teremos o prazer de conhecer o patauá. Para os mais afoitos, uma
alternativa talvez seja começar a plantar essa palmeira, pois com uma promessa
tão boa não dá para depender apenas do puro extrativismo, muito menos se feito
nos velhos moldes, derrubando a palmeira
para colher os cachos de frutos! 

 

Foto: Liana John

ver este postcomente
Comentários

29/07/2011 às 15:14 Anonymous - diz:

Carla Sabiá – diz:Adoro suas reportagens muito bem escritas e com um belo cabedel de informações. Parabéns !

Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!

Enviar

BiodiversaLiana John

Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade.

Posts anteriores

16/05 • Óleos essenciais x fungicidas sintéticos

09/05 • A união faz o reforço

02/05 • Nanofibras com óleo geram tecidos medicinais

25/04 • Como passar uma borracha nos defeitos ósseos

18/04 • Sabor e conservação à moda Baniwa

11/04 • Sofisticação casa com sustentabilidade, sim senhor!

04/04 • Vai até o pelinho do caroço!

28/03 • Uma tijolada no desperdício

21/03 • Mais buriti: leve, claro e fresquinho

14/03 • Um substituto para o maldito isopor

07/03 • Gruda até debaixo d’água

28/02 • Um mato baixo contra a alta da malária

21/02 • Enzimas boas de briga

14/02 • Como se coloca uma baleia em um ventilador?

07/02 • Corta fadiga e apaga fogachos

31/01 • Erva-baleeira, a salvação dos esportistas bissextos

24/01 • Babaçu, o adsorvente eficiente

17/01 • Quando a inspiração vem do formigueiro

10/01 • Palmas para a carnaúba

03/01 • Pepinos e conchas contra trombose e tumores

27/12 • Orelha de onça acaba com asma, rinite e afins

21/12 • Bambu da bica à boca

13/12 • Uma cutia como opção amazônica

06/12 • Todo charme dos painéis de fibras naturais

29/11 • Pequi, o protetor dos atletas

22/11 • Do lixo para o Spa

15/11 • Fungos para curar nossos solos

08/11 • Uma microalga para dois macrodesejos: emagrecer e não envelhecer

01/11 • Para curtir sem poluir

25/10 • O fim (da picada) está próximo!

18/10 • Saúde embalada com estilo!

11/10 • Sentinelas nativos contra o estrangeiro voraz

05/10 • O lugar certo para a titica

27/09 • Pracaxi dá adeusinho às estrias

20/09 • Grandes lições de um pequeno construtor

13/09 • Ventilação à moda cupinzeiro

06/09 • Murumuru, a proteção que respira

30/08 • Do Cerrado, contra a dengue

23/08 • Quando as conchas entram pelo cano

16/08 • A proteção que vem da Caatinga

09/08 • Cheirinho fatal

02/08 • Mesma forma, nova função, tremenda inovação

26/07 • Bom para a tosse e bom para o clima

18/07 • Cheirosa, gostosa e – porque não? – decorativa

12/07 • Às favas com as varizes

05/07 • De amarga já basta a vida

28/06 • Uma borracha que duuuuuuura…

21/06 • Vamos todos tomar caju!

14/06 • Problemas com glicose? Aposte no cambuci!

07/06 • Das lagoas para as indústrias

31/05 • Como canários numa mina de carvão

24/05 • Não adianta chorar pelo petróleo derramado

17/05 • Camucamu contra gripes e resfriados

11/05 • Uma ponte para dois remédios

03/05 • Guanandi reabilita a várzea amiga

26/04 • Coração forte como um touro

19/04 • Para viajar sem jet lag

12/04 • Mensageiras das boas águas

05/04 • Os poderes ocultos do X-Caboquinho

29/03 • Do couro n’água ao couro d’água

22/03 • Descole, se for capaz

15/03 • Frutas com veneno, nunca mais!

08/03 • Uma invasora contra invasões

01/03 • Larica de priprioca

23/02 • Em passo de formiguinha…

16/02 • O toque de Midas da bromelina

09/02 • Curauá enfrenta até terremoto!

02/02 • Da boca da serpente

26/01 • Com mulungu, mamulengo é moleza!

19/01 • Com mandacaru não tem água turva

12/01 • Pode comer que… é batata!

05/01 • Um catavento contra o câncer de laringe

22/12 • Enfim um fim para micoses teimosas!

15/12 • A volta por cima da velha piaçava

08/12 • Quando a ferroada vira remédio

01/12 • Feijoa: guardem bem este nome!

24/11 • A proteção está no bagaço

17/11 • Coco no cabelo, casca no churrasco

10/11 • Novo etanol sairá do solo amazônico

03/11 • Caju com resíduos faz do piso à telha

28/10 • O macaco está certo!

20/10 • Sujeira da grossa pede bactérias faxineiras

13/10 • O conservante dos conservadores de beleza

06/10 • Com baguaçu, a febre vai pro brejo

29/09 • É a volta do cipó de aroeira

22/09 • Bom para bumbum de bebê

15/09 • Pimenta-de-macaco ajuda até a descascar abacaxi sem surpresas

08/09 • Quem disse que pau oco não faz milagre?

01/09 • Sinal vermelho para o sol

25/08 • Comigo ninguém pode… nem mesmo a poluição!

18/08 • Vacinar o cão para proteger o dono

11/08 • De veneno a fortificante

04/08 • Na horta marinha brota saúde e renda

28/07 • Patauá é prazer de cama e mesa!

21/07 • A saúde é índigo blue

14/07 • A inspiradora flexibilidade do pirarucu

07/07 • Para curar qualquer ferida

30/06 • Pau-terra contra os efeitos do estresse

23/06 • Viva São João! Lá no alto e aqui no chão!

16/06 • Bicão high-tech

09/06 • Erva pra cabeça, por dentro e por fora

02/06 • Há males que vêm pra bem

26/05 • Tucupi, tacacá e tá na cara

19/05 • Esse chá de cogumelo é do bom!

12/05 • Um dedal de esperança contra alergias

05/05 • Só uma santa para derrotar a celulite!

28/04 • Mosquitos contadores de histórias

21/04 • Tremiliques da grumixava

14/04 • Coquinhos para encher o tanque

07/04 • O rapa das bactérias mineradoras

31/03 • Pimenta na salmonela dos outros é antisséptico

24/03 • Como bem dizia Anchieta…

17/03 • Comer, beber, emagrecer

04/03 • Do lixo para as passarelas

03/03 • Para matar a sede de saúde

24/02 • Varre, varre a dengue, vassourinha…

17/02 • Microexército para macrobatalhas

10/02 • Deu praga na praga

03/02 • Para rejuvenescer, use o escorrega-macaco

27/01 • Cascavel na veia ou em cápsulas?

20/01 • Madeiras que cantam e encantam

13/01 • Falta ar? Recorra ao peixe venenoso!

06/01 • Comece bem, com a pata-de-vaca certa!

16/12 • Um toque de sabor e textura aos congelados

09/12 • Overdose agrícola tem cura!

02/12 • Uma torneirinha para o bem-estar

25/11 • Para o alto e além!

18/11 • Vírus por vírus, o nacional é melhor

11/11 • A criativa defesa das pererecas

04/11 • Como tirar plástico da mandioca

28/10 • O inibidor de serpentes

21/10 • Relaxe! Deixe o herpes com a marcela

14/10 • Contra gripes e resfriados, use o guarda-sol

07/10 • Para lavar a égua… Ops: a água!

30/09 • Regeneração óssea sai da zona do vinagre

23/09 • Lugar de caju é na escova de dentes

16/09 • E carrapato lá tem serventia?

09/09 • A aposta no picão-preto

02/09 • As vantagens de ser homem-aranha

26/08 • Vai antigraxa aí, doutor?

19/08 • Um segredinho para adiar a morte

12/08 • Alívio é com a cabeludinha

05/08 • Esponjas para lavar o Mal do Século

29/07 • Medidores bat-precisos e bat-econômicos

22/07 • Vazou petróleo no mar? Camarão nele!

15/07 • Buriti: das veredas para os semáforos

14/07 • Luzinha ‘dedo-duro’

14/07 • Caranguejeiras x super bactérias

PATROCÍNIO: