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Contra gripes e resfriados, use o guarda-sol Liana John - 14/10/2010 às 08:56
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Entre as primeiras plantas que rebrotam em nossas matas sempre tem uma porção de embaúbas. Não importa se a clareira foi aberta por acidente, com a queda de uma velha árvore durante uma tempestade, ou intencionalmente, com o uso da famigerada motosserra ou do devastador correntão. Tão logo o sol chega ao solo, germinam as sementes do guarda-sol mais comum do Brasil, presente também em beiras de estrada, em terrenos baldios e nas bordas das florestas.
Embaúba, na verdade, é um dos nomes vulgares de 25 espécies do gênero Cecropia, todas consideradas pioneiras, todas disseminadas à vontade por aves e mamíferos, apreciadores de seus frutos. As sementes são minúsculas e ficam dormentes na terra, prontas para dar tudo de si ao primeiro raio de luz.
Quando é dada a largada, as plântulas crescem rapidamente e logo estendem suas folhas cheias de dedos largos pela clareira. Elas asseguram, assim, a sombra necessária para a germinação de outras plantas mais sensíveis e mais tardias, chamadas de espécies-clímax.
Embora sejam consideradas viralatas, justamente por serem comuns demais, as embaúbas são fundamentais para a regeneração natural das matas. Sem sua proteção contra o sol, o processo todo seria muito mais lento e difícil.
Mas não é só: as folhas das embaúbas também guardam substâncias bioativas, com diversos usos na medicina popular. Algumas dessas substâncias são objetos de pesquisas farmacológicas para o desenvolvimento de medicamentos contra diabetes ou males de executivos, como a hipertensão. Outras tratam doenças tão comuns quanto a própria planta, como gripes e resfriados.
Na sede da Klabin Papéis, em Telêmaco Borba, no Paraná, ocorrem três espécies de embaúbas Cecropia glaziovii, C. hololeuca e C. peltata. Suas folhas servem para produzir um extrato, usado para aliviar as vias respiratórias em gripes e resfriados há pelo menos três décadas.
É um extrato hidroalcoólico, rigorosamente dosado para o uso específico como expectorante, enfatiza a gerente de Operações da Divisão de Produtos Florestais Não Madeireiros da empresa, Loana Johansson. Na embaúba, as saponinas são responsáveis pela expectoração, mas há outras substâncias moduladoras de cálcio, com outras funções terapêuticas, portanto é importante calcular bem a dosagem.
Os fitoterápicos produzidos na Klabin são para uso exclusivo dos funcionários e suas famílias, visando melhorar a qualidade de vida por meio dos benefícios obtidos das florestas. Gripes e resfriados constituem 21% dos registros médicos e, portanto, tratar deles é uma das prioridades.
A fitoterapia tem alcances e limitações, como qualquer tipo de terapia. É preciso sempre direcionar o conhecimento popular para que ele de fato funcione para o bem, evitando generalizar o uso de qualquer medicamento, natural ou não, adverte Loana. Segundo ela, o diferencial dos fitoterápicos produzidos na Klabin é a origem controlada, com 100% de rastreabilidade.
Isso é muito importante, acrescenta, pois plantas do mesmo gênero ou até da mesma espécie, porém de regiões ou de ecossistemas diferentes, podem não conter os mesmos produtos ativos observados aqui.
Tomadas as devidas precauções, o extrato de embaúba tem tudo para se popularizar como medicamento natural, produto da nossa biodiversidade. E promover quem sabe? a devida valorização dessa planta viralata de usos múltiplos.
Foto: Liana John
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14/10/2010 às 11:24 Anonymous - diz:
Juliano Schiavo – diz:Gosto de seus textos pela clareza de ideias e originalidade. Parabéns!
14/10/2010 às 17:56 Anonymous - diz:
Edson L. Bonadiman – diz:Liana, sinceramente sou seu fã!! ainda bem que eu a encontrei por aqui e posso me deliciar com os seus textos, mas ainda assim sinto falta do seu editorial na revista terra da gente! gde abraço!Edson.
15/10/2010 às 09:19 Anonymous - diz:
Rudimar Cipriani – diz:Muito interessante esta matéria sobre a embaúba, aliás, todos os seus artigos postadas aqui em seu blog são de extraordinário interesse. Gosto muito de seus textos, sempre claros, objetivos, reveladores e gostosos de ler, trazendo-nos informações e conteúdo surpreendentes. Parabéns.
15/10/2010 às 10:40 Anonymous - diz:
silmar – diz:Meu guarda-sol ou guarda-chuva, vira-lata e predileto!!!!!!!!! Amo esta arvoreta de paixão. à a menina dos meus olhos no “meu” pedacim de chão….:) “Meu” amado pé de embaúba….tão simplório, tão importante, tão mágico…..
16/10/2010 às 12:54 Anonymous - diz:
Richard Sotero – diz:Liana, bom demais esse seu texto. Não sei onde voce encontra tanta novidade e com tanta seriedade para ficar informando a gente. Parabéns, aqui do sul de Minas Gerais. Sou seu fã.
16/10/2010 às 12:57 Anonymous - diz:
Amadeu Pentado – diz:Fico impressionado com a beleza de seus textos e a qualidade científica do seu trabalho. Você tem doutorado em meio ambiente? Continue assim. Este texto aborda fitoterápicos, rastreabilidade, pesquisa laboratorial, botânica, química orgânica, biologia… não é fácil tratar de tudo isso com tanta clareza. Voce fica sempre no essencial.
25/10/2010 às 15:03 Anonymous - diz:
izabel Cristina Porto Velho RONDONIA – diz: Liana, parabéns pela excelente reportagem sobre uma das espécies comuns da Amazônia, a EMBAÚBA mais com grande importância não só para o homem como tbém p as nossas aves.
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Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade.
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