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Esse chá de cogumelo é do bom! Liana John - 19/05/2011 às 19:23
Chá de cogumelo, para quem tem mais de cinquenta, é sinônimo de experiência alucinógena. Muitos jovens dos anos 1980 arriscaram a saúde por alguma horas de barato, colhendo cogumelos diretamente nos pastos ao primeiro raio de sol após uma chuva. Hoje, o chá de cogumelo aqui destacado é de outra natureza, capaz de promover saúde, sobretudo para vegetarianos e para pessoas com qualquer tipo de deficiência imunológica.
O Brasil tem alta biodiversidade de macrofungos (cogumelos), mas ainda vai muito devagar quanto ao uso desses recursos, comenta a pesquisadora aposentada Maria Angela Amazonas, especialista em Micologia e Bioquímica. Durante muitos anos, ela estudou o cogumelo Agaricus brasiliensis, originário da Mata Atlântica do Sudeste. A espécie é mais conhecida por seu nome científico antigo Agaricus blazei ou pelo nome popular de cogumelo-do-sol.
Em geral, esse cogumelo é comercializado como remédio auxiliar nos tratamentos quimioterápicos, para melhorar a resposta imunológica e, portanto, a qualidade de vida do paciente com câncer. Também é usado por portadores de HIV para reequilíbrio do organismo. E ainda há trabalhos científicos que fazem referência à espécie por sua atividade antibacteriana, antiviral e por sua ação reguladora de colesterol e glicose.
Quando da descoberta destas propriedades, houve certo exagero na propaganda e distorção dos usos dos fitoterápicos e dos comprimidos de Agaricus. A onda já diminuiu, mas ainda há quem diga que o cogumelo é capaz até de curar câncer e AIDS, o que não é verdade.A forma mais segura de consumo do cogumelo-do-sol é como alimento funcional, defende Maria Angela. Seja refogado, em molhos ou, principalmente, como chá, esse cogumelo mantém todos os benefícios pró-saúde, sem que se corra o risco de depositar esperanças exageradas ou favorecer a automedicação. Segundo a especialista, todos os cogumelos do gênero Agaricus contêm substâncias conhecidas como agaricinas, de efeito tóxico se consumidas cruas.
Estas substâncias não causam intoxicação imediata, nem mal estar logo após o consumo, mas têm efeito cumulativo e, com o tempo, sobrecarregam o fígado, explica. Por isso não se deve comer nenhuma cogumelo Agaricus cru, e isso inclui o champignon ou cogumelo Paris, aquele mais comum, que é Agaricus bisporus. Tem gente que consome em salada, cru, mas não se deve. O efeito crônico é pior quando quem consome já está debilitado e ingere com freqüência os concentrados extraídos a frio, como alguns comprimidos, o pó e preparados fitoterápicos.Daí a recomendação de usar o cogumelo-do-sol como alimento: cozido, assado, refogado ou na infusão, qualquer alternativa desde que seja quente ou tenha passado pelo calor. O cogumelo desidratado também pode ser usado, mas como alimento também, após passar por qualquer um dos tratamentos acima. Esse cogumelo tem alto valor nutritivo, muita proteína, muitos sais minerais, continua Maria Angela. No cozimento pode perder algumas vitaminas, mas mantém o resto. As proteínas não são afetadas, tornado este um alimento funcional excelente para os vegetarianos, para substituir as proteínas das carnes.
Conforme a pesquisadora, o chá de Agaricus brasiliensis, bem quentinho, ajuda ainda a controlar crises de alergia, como rinite e asma. Lembrando sempre que alergia é algo muito pessoal, muda muito de pessoa para pessoa, mas para alguns faz muito bem!
O cogumelo-do-sol é produzido comercialmente na Serra da Mantiqueira, em São Paulo, e no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Assim, ninguém precisa sair para colher direto nos bosques, arriscando se confundir com espécies parecidas ou causar degradação de áreas de mata. Diversos entrepostos de produtos naturais vendem o produto desidratado ou em conserva, que são as melhores alternativas. Sem alucinações, nem risco de intoxicação crônica!
Foto: Maria Angela Amazonas
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20/05/2011 às 10:02 Anonymous - diz:
Rogerio R. Ruschel – diz:Este cogumelo do sol é bom mesmo. Na Suécia tive a oportunidade de ir colher cogumelos e trufas em uma floresta, em um programa de familia.Ótima matéria.
20/05/2011 às 10:10 Anonymous - diz:
Melissa de Miranda – diz:Este post me interessou muito! Sou vegetariana há dez anos e nunca tinha ouvido falar… Adorei a dica!! Vou compartilhar no Facebook para todos os meus amigos vegetarianos (e os demais, claro, afinal… quem não quer um pouquinho de saúde no cardápio, não é?). Estou realmente curiosa para experimentar… e ainda rende umas piadinhas, né, até para os que têm menos de 50! Amo demais o blog, está cada vez melhor!!
20/05/2011 às 10:24 Anonymous - diz:
Antonio Carlos Cavalli – diz:Parabéns pelo blog. Cada dia, mais interessante. Uma enciclopédia de conhecimentos aplicáveis. A matéia mostra um registro muito favorável para os mal-falados cogumelos do passado.
20/05/2011 às 11:38 Anonymous - diz:
Christian Q. Spoto – diz:Oi Liana,Legal a matéria! Sou vegetariano faz muitos e muitos anos, já tinha ouvido falar deste cogumelo, mas com tanata propaganda m cima dele desconfiei e deixei para lá. Agora vou experimentar.Tenho acompanhado os post. Parabéns pelo blog está reamente muito bom!Abraços
20/05/2011 às 14:00 Anonymous - diz:
Haroldo Castro – diz:Liana, onde podemos comprar esse cogumelo. Como tenho 33 anos de vegetariano (e tenho de 50), quero curtir o barato desse… mesmo se o quilo seja caro… HC
20/05/2011 às 15:45 Anonymous - diz:
Liana John – diz:Aos interessados em comprar on line, existe uma associação de produtores do Vale do Jequitinhonha que vende: http://www.aproconova.com.br A melhor opção é o cogumelo em pedaços desidratado.Agora para os mais animados, dispostos a cultivar os cogumelos em casa, o mapa da mina é a Fazenda Guirra que dá cursos e arruma os cogumelos para iniciar a produção: http://www.guirra.com.brDepois vocês me contam se gostaram!
22/05/2011 às 16:23 Anonymous - diz:
Richard Sotero – diz:Parabéns pela matéria. Muito interessante. Como deve ser tb a vida dessa pesquisadora, agora aposentada mas que pelo jeito continua trabalhando. O mundo dos fungos é fascinante, do vinhon à cerveja, do pão aos queijos, devemos muito a eles. E agora tb com essas descobertas terapeuticas.
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Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade.
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