BuscaBusca avançada
Publique
o selo
no seu blog
Um dedal de esperança contra alergias Liana John - 12/05/2011 às 17:58
O anão Atchim, da história da Branca de Neve, reflete a importância que as alergias podem ter em nossa vida: ele personifica o drama de muitas pessoas de carne e osso que não conseguem passar um dia sem acessos de espirros provocados por poeira, pólen ou poluentes. O problema pode ser ainda pior se a alergia é alimentar, condenando os alérgicos a dietas eternas e à vigilância constante dos ingredientes usados em cada receita. Ou, mais grave ainda, se a alergia é medicamentosa, pois alguns casos podem ser fatais ou ter sequelas permanentes.
Alergia é bom definir é uma reação anormal e, em geral, exagerada do organismo a alguma substância estranha, inócua para a maioria das pessoas. O indivíduo alérgico se torna particularmente sensível à tal substância após o primeiro contato. As manifestações de alergia incluem: espirros, crises de asma, pele avermelhada ou com pontos vermelhos (brotoejas), coceira, fechamento da glote (por onde passa o ar na laringe), diarreias, vômitos ou mesmo choque anafilático e morte.São bem vindas, portanto, todas as pesquisas com substâncias antialérgicas, com potencial para afastar os riscos e garantir qualidade de vida aos alérgicos. Uma dessas pesquisas envolve a casca de uma árvore do Cerrado brasileiro, conhecida como mangava-brava ou dedaleira (Lafoensia pacari). Os primeiros estudos foram realizados por Deijanira Albuquerque, do Departamento de Imunologia da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), com o objetivo de comprovar a ação antiinflamatória da planta, de uso popular. Ao tomar conhecimento dos resultados positivos, Lúcia Faccioli resolveu ir além e pesquisar os mecanismos de ação do extrato alcoólico em seu laboratório, na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP/USP).
O trabalho se transformou na tese de doutorado de Alexandre de Paula Rogério na FCFRP/USP, sob orientação de Lúcia, em colaboração com Momtchilo Russo, do Departamento de Imunologia da USP. E trouxe um dedal de esperança para os alérgicos, como convém a uma dedaleira.
O trabalho pioneiro da doutora Albuquerque mostrou que a dedaleira tem ação antiinflamatória, mas até então ela não tinha explorado os mecanismos envolvidos e nem a ação em outros modelos de estudo, conta Lúcia Faccioli. Em nosso estudo ampliamos a investigação até mostrar que a dedaleira tem potencial para ser usada como antialérgico.
Ainda são necessárias novas pesquisas e diversos testes para as substâncias ativas da espécie entrarem na formulação de algum medicamento. De qualquer forma, agora já se conhece o princípio ativo. O composto que nós identificamos como sendo antialérgico foi o ácido elágico. Esta substância pode ser encontrada em muitas outras plantas, já foi sintetizada e está disponível no mercado. Pelo menos para uso em experimentação, mas não ainda como um fármaco disponível para a população, pelo que sei até o momento, comenta a pesquisadora. E adverte: O problema de a população usar o extrato alcoólico é que ainda não sabemos se ali se concentram uma ou mais substâncias potencialmente tóxicas, que podem não estar presentes no chá. Também falta saber se o extrato pode ou não ser usado junto com outros medicamentos (interação medicamentosa) e se pode ou não ser associado a outros princípios ativos (na mesma formulação).Nas pesquisas já concluídas, verificou-se que o potencial antiinflamatório não se restringe às alergias respiratórias. O extrato da dedaleira e o ácido elágico inibem citocinas, que são peptídeos que fazem a comunicação entre as células e são muito importantes no processo alérgico. Entre as citocinas inibidas estão, por exemplo, aquelas associadas à produção dos anticorpos exagerados das alergias, conhecidas como IL-4 e IL-13. Esses anticorpos aumentados são mensageiros do sistema de defesa do organismo e ativam um grupo de células chamadas mastócitos, que então liberam seus grânulos e produzem vários dos sintomas e eventos indesejáveis nas alergias, como coceira, inchaço, dificuldade para respirar, entre outros.
Os estudos da FCFRP/USP contaram com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Os novos estudos necessários são complexos e caros, e dependem de financiamento de alto valor, além do interesse de alguma indústria farmacêutica, de acordo com Lúcia Faccioli: E, isso, até o momento nós não tivemos.Foto: Liana John
ver este postcomente
12/05/2011 às 19:14 Anonymous - diz:
Haroldo Castro – diz:E agora? Quanto tempo para poder ser usado como medicamento? E o chá caseiro serve?Haroldohttp://colunas.epoca.globo.com/viajologia/
12/05/2011 às 19:19 Anonymous - diz:
Sergio Viegas – diz:Sempre é empolgante ver a nossa biodiversidade se transformando em fitoterápicos com apoio de orgãos como a Fapesp, o CNPq e a Capes. Pode ser que em algum momento a questão de preservação de nossas florestas deixe de ser apenas um discurso de conservacionistas e que os céticos possam entender o valor desse patrimonio!
12/05/2011 às 22:45 Anonymous - diz:
Liana John – diz:A intenção deste blog é exatamente esta, Sérgio: mostrar o valor da nossa biodiversidade, quanto já foi estudado/descoberto e quanto pode ser feito com todas essas espécies. Quem sabe então os investidores privados se interessem e consigam responder à pergunta do Haroldo.
13/05/2011 às 12:13 Anonymous - diz:
Ricardo Garcia – diz:Olá Liana. Manda umas dedaleiras para cá (Portugal), porque a Primavera este ano está braba por estas paragens.
13/05/2011 às 13:47 Anonymous - diz:
Kátia – diz:Gente amei!!!! Tomara que isso se resolva. Preciso muito ter um pouco de paz!!!
26/05/2011 às 18:59 Anonymous - diz:
Mladenka Aleksija Lukic – diz:Marketing Sustentável no BrasilOlá, meu nome é Mladenka Aleksija Lukic e estou atualmente escrevendo a minha dissertação de mestrado em ASB (Dinamarca), com o tema de Marketing Sustentável no Brasil. A fim de obter dados relevantes para o meu estudo, eu gostaria de solicitar a sua ajuda. Link: http://www.survey-xact.dk/LinkCollector?key=WW5PWM6K36C1 Esta é a questionário anônimo.Obrigado
![]()
25/06/2011 às 19:19 Anonymous - diz:
ioneblemos – diz:gostaria de obter informações sobre o dedal no combate ao cancer.
Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!
Enviar
Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade.
• Uma ponte para dois remédios
• Guanandi reabilita a várzea amiga
• Os poderes ocultos do X-Caboquinho
• Do couro n’água ao couro d’água
• Frutas com veneno, nunca mais!
• Uma invasora contra invasões
• O toque de Midas da bromelina
• Curauá enfrenta até terremoto!
• Com mulungu, mamulengo é moleza!
• Com mandacaru não tem água turva
• Um catavento contra o câncer de laringe
• Enfim um fim para micoses teimosas!
• A volta por cima da velha piaçava
• Quando a ferroada vira remédio
• Feijoa: guardem bem este nome!
• Coco no cabelo, casca no churrasco
• Novo etanol sairá do solo amazônico
• Caju com resíduos faz do piso à telha
• Sujeira da grossa pede bactérias faxineiras
• O conservante dos conservadores de beleza
• Com baguaçu, a febre vai pro brejo
• É a volta do cipó de aroeira
• Pimenta-de-macaco ajuda até a descascar abacaxi sem surpresas
• Quem disse que pau oco não faz milagre?
• Comigo ninguém pode… nem mesmo a poluição!
• Vacinar o cão para proteger o dono
• Na horta marinha brota saúde e renda
• Patauá é prazer de cama e mesa!
• A inspiradora flexibilidade do pirarucu
• Pau-terra contra os efeitos do estresse
• Viva São João! Lá no alto e aqui no chão!
• Erva pra cabeça, por dentro e por fora
• Esse chá de cogumelo é do bom!
• Um dedal de esperança contra alergias
• Só uma santa para derrotar a celulite!
• Mosquitos contadores de histórias
• Coquinhos para encher o tanque
• O rapa das bactérias mineradoras
• Pimenta na salmonela dos outros é antisséptico
• Varre, varre a dengue, vassourinha…
• Microexército para macrobatalhas
• Para rejuvenescer, use o escorrega-macaco
• Cascavel na veia ou em cápsulas?
• Madeiras que cantam e encantam
• Falta ar? Recorra ao peixe venenoso!
• Comece bem, com a pata-de-vaca certa!
• Um toque de sabor e textura aos congelados
• Uma torneirinha para o bem-estar
• Vírus por vírus, o nacional é melhor
• A criativa defesa das pererecas
• Como tirar plástico da mandioca
• Relaxe! Deixe o herpes com a marcela
• Contra gripes e resfriados, use o guarda-sol
• Para lavar a égua… Ops: a água!
• Regeneração óssea sai da zona do vinagre
• Lugar de caju é na escova de dentes
• E carrapato lá tem serventia?
• As vantagens de ser homem-aranha
• Um segredinho para adiar a morte
• Esponjas para lavar o Mal do Século
• Medidores bat-precisos e bat-econômicos
• Vazou petróleo no mar? Camarão nele!