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Comigo ninguém pode… nem mesmo a poluição! Liana John - 25/08/2011 às 18:12

Tem pessoas tão
acostumadas com o excesso de concreto da paisagem urbana que trocam árvores por
calçadas de cimento só para não ter o trabalho de varrer folhas. Outras
restringem o verde à toalha de mesa, à pintura das paredes ou ao estofado dos
móveis, só para não gastar tempo regando vasos e jardins. 

 

Para este tipo de
gente, o pesquisador norteamericano Bill Wolverton escreveu um livro intitulado
Plants, why can’t you live without them (Plantas, porque você não pode viver
sem elas
– Roli Books 2010) junto com o empresário japonês Kozaburo Takenaka,
dono do maior negócio de leasing de plantas do mundo. Infelizmente, a obra
ainda não foi traduzida para o português, mas recomendo a leitura mesmo assim.
Vale o esforço! E a recomendação se estende também a How to grow fresh air
(Como cultivar ar fresco), este só de Bill Wolverton, já traduzido em 15
idiomas (menos o português). 

 

Os dois livros
provam por A mais B a nossa imensa dependência das plantas. Não só para necessidades
primárias – como comer e respirar – ou para obter medicamentos, resinas, fibras,
cosméticos e demais produtos descritos aqui no espaço Biodiversa. Precisamos
das plantas até para lidar com a marca registrada das grandes cidades: a
poluição. Em especial, a poluição de interiores, bem mais ‘discreta’ e menos
combatida do que a poluição das ruas, das chaminés de fábricas e dos
escapamentos de veículos. 

 

“Iniciei minhas
pesquisas com plantas para filtrar o ar e a água há mais de 40 anos”, conta
Bill Wolverton, em entrevista por email. “Para testar a eficácia na remoção dos
poluentes de interiores, as plantas de cada espécies eram colocadas em um
ambiente selado, uma câmara de testes na qual injetávamos um poluente por vez,
medindo a capacidade da planta absorver ou destruir químicos como formaldeído,
por exemplo”. 

 

Tais experimentos
foram realizados na Agência Espacial Americana (NASA), onde Wolverton foi
pesquisador ambiental sênior durante 20 anos. Em 1990, ele se aposentou e montou
sua própria empresa de consultoria, a Wolverton Environmental Services (WES),
na qual continua desenvolvendo algumas pesquisas na mesma linha. 

 

“Todas as plantas
têm capacidade de remover algum poluente do ar, mas sua eficácia pode variar
enormemente”, observa. “Em geral, as plantas de regiões tropicais úmidas são
mais eficientes do que as de regiões áridas, pois possuem as mais altas
taxas de transpiração”. 

 

Entre as plantas
brasileiras testadas por Wolverton e por ele recomendadas como excelentes
‘filtros vivos’ estão as folhagens ornamentais típicas de sub bosque, dos
gêneros Spathiphyllum (como o lírio-da-paz); Philodendron (diversas espécies
vulgarmente chamadas de filodendros) e Dieffenbachia (várias espécies
conhecidas pelo mesmo nome: comigo-ninguém-pode). 

 

Na opinião do
especialista, estas plantas devem ser mantidas em todo escritório e qualquer
prédio que permaneça fechado a maior parte do tempo. Elas são nossa defesa
contra a contaminação por poluentes gerados pela operação de máquinas
copiadoras ou pela evaporação de químicos perigosos contidos em produtos de
limpeza, tintas, colas, carpetes e outras fontes. Esses poluentes não se
dispersam porque permanecem ‘presos’ nos edifícios, eventualmente recirculando
pelos sistemas de ventilação.  

 

A forma mais
eficiente de destruí-los é cultivar as plantas ‘filtro’.  

 

Mãos à obra,
portanto: troque seus bibelôs de alumínio e plástico por algumas aliadas da
biodiversidade brasileira. Afinal o que custa varrer umas folhinhas em troca de
um ar saudável no ambiente de trabalho (no qual, diga-se de passagem,
costumamos passar a maior parte do dia)? 

 

Foto: Liana John (Philodendron sp.)

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Comentários

29/08/2011 às 08:09 Anonymous - diz:

Carla Sabiá – diz:Muito boa reportagem sobre como sobreviver sem as plantas . Pois na verdade sem plantas não dá para viver pelo menos um vaso de flor já faz a diferença. Uma horta já faz mais a diferença e árvores então e frutíferas mais ainda . Precisamos de plantas para oxigenar mais o ar , coletar este carbono infernal e deixar a cor da cura atuar o verde .

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BiodiversaLiana John

Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade.

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