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A aposta no picão-preto Liana John - 09/09/2010 às 08:00

Sabe aquele espinho que gruda na barra das calças, nas meias e até no cadarço do tênis quando se caminha pelos campos do Brasil? Aquele conhecido como picão-preto? Pois bem, trata-se da semente de uma planta cosmopolita – ou seja, comum em várias regiões do mundo – de nome científico Bidens pilosa. A par de infernizar a vida de quem circula fora do asfalto e de ser considerada erva daninha pelos agricultores, a espécie é uma promessa farmacológica.

Na cultura popular, há muito tempo o chazinho de picão-preto faz parte do arsenal contra hepatite. Também tem quem use contra icterícia em recém-nascidos e infecções urinárias. Mas a principal aposta de quem faz pesquisas em Farmanguinhos, o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é no potencial contra a malária.

Também conhecida como febre terçã, febre palustre, paludismo ou maleita, a malária mata cerca de 1 milhão de pessoas por ano no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, e acomete pelo menos 800 mil brasileiros anualmente, conforme dados do Ministério da Saúde. É uma doença crônica com fases agudas provocada pela presença de parasitas do gênero Plasmodium no sangue, transmitidos de pessoas ou animais infectados pelos mosquitos do gênero Anopheles. O doente tem acessos de febre alta com calafrios durante os quais ocorre a destruição de grande quantidade de hemácias, as células sanguíneas responsáveis pelo transporte de oxigênio.

Já existem medicamentos para o tratamento de malária, como os derivados da quinina, conhecidos desde o Século XVII e, hoje, os coquetéis com misturas destes com derivados de artemisinina, também produzidos por Farmanguinhos. Mas o paciente não se cura e o problema é a recaída ou recidiva, como preferem os médicos. Aí, em geral, os mesmos medicamentos não têm tanta eficiência e o ideal seria fazer o tratamento dos pacientes com outras drogas.

“Considero o picão-preto terapeuticamente promissor contra malária e, por enquanto, ainda não identificamos seus efeitos tóxicos, ou seja, é uma espécie candidata a gerar um medicamento com melhor desempenho do que as opções atuais”, diz Leonardo Lucchetti, coordenador da pesquisa com a espécie em Farmanguinhos, ressalvando que o caminho até o medicamento chegar ao mercado é longo e depende de investimentos e testes. A planta já teve seu perfil químico avaliado, assim como alguns mecanismos de ação propostos. No entanto, tais informações não devem, ainda, ser reveladas, devido ao interesse na patente.

Nos testes feitos em laboratório, os extratos de picão-preto evitaram a morte de camundongos com malária. “Mas ainda não temos a prova definitiva se foi por aumentar a imunidade do animal – e, portanto, favorecer o controle da doença pelo próprio organismo – ou por eliminar diretamente a malária”, destaca.

A equipe de Farmanguinhos permanece em busca de um extrato contra malária, talvez associando o picão-preto a outros compostos. “Estamos trabalhando em cima da terapêutica, porém o combate à malária não se dá só no campo da terapia”, adverte a pesquisadora Dulcinéia Teixeira, da mesma equipe: “É preciso trabalhar com prevenção e educação também”.

Além de aproveitar as substâncias ativas do picão-preto, quem sabe não é o caso de imitarmos também a estratégia de multiplicação da plantinha, capaz de produzir o ano inteiro e espalhar sementes para todo canto, de carona em quem passa por perto? É só usar a boa informação como semente…

Foto: Liana John

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Comentários

10/09/2010 às 09:26 Anonymous - diz:

ORESTES – diz:Bom dia Sra. Liana,Tem como a Sra. encaminhar essas informações abaixo(Ecologia) para o depto. específico(Segurança do Trabalho, Ecologia etc)?Agradeço antecipadamente.———————————Prezados Senhores, Observando que V. entidade está engajada na luta pela preservação do planeta e. estão trabalhando muito na conscientização sobre ecologia no planeta etc., propomos uma parceria no sentido de fornecermos alguns produtos a V.S. para brindes para V. funcionários, clientes, fornecedores e publico em geral. 1. SACOLAS RETORNAVEIS ECOLOGICAMENTE CORRETAS COMO INSTRUMENTO DE MERCHANDISING ETC. Fabricamos sacolas ecológicas retornáveis em algodão ecologicamente correto, fios pet etc. Para substituição das sacolas plásticas. São excelentes como instrumento de merchandising praticamente gratuito por muitos anos que é a durabilidade das mesmas. E vão levar V. imagem de empresas preocupadas com a ecologia, com a sustentabilidade do planeta etc. 2. SUPORTES ERGONÔMICOS REGULÁVEIS PARA MONITORES DE COMPUTADORES FABRICADOS EM MADEIRA ECOLÓGICAMENTE CORRETA.3. APOIOS ERGONÔMICOS ARTICULÁVEIS PARA OS PÉS FABRICADOS EM MADEIRA ECOLOGICAMENTE CORRETA. Disponibilizamos também os produtos acima para utilização por usuários de computadores e profissionais administrativos em geral. Produtos excelentes que não poluem a natureza. Caso haja interesse solicitamos contato no sentido de enviarmos maiores detalhes, fotos e demais informações. Propomos parceria de fornecimento a V.S. ou a V. clientes/fornecedores/funcionários etc. E aos V. parceiros. Colocamo-nos ao V. dispor para dirimir quaisquer dúvidas e ficamos no aguardo de V. manifestações.

10/09/2010 às 21:11 Anonymous - diz:

Lucilene Chagas – diz:Minha tia usou chá de picão como shampoo, para tratar queda de cabelo, estranhei não ter sido citado na matéria. Será que não existe estudos sobre este uso do picão, ou nada ficou comprovado sobre este tratamento?

22/03/2012 às 16:28 Moisés - diz:

Olá tudo bém? gostaria de saber se for possível, se o chá de picão preto serve para tratamento de gripe e resfriados, e como utiliza-lo , digo, dosagem certa : a sª Liana muito obrigado Moisés.

22/03/2012 às 16:34 Liana John - diz:

Oi Moisés, não conheço esta utilização do picão-preto, mas escrevi sobre gripes e resfriados em outro post, sobre a embauba, que também é uma planta muito comum em todo o Brasil. Dê uma olhada no link http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/biodiversa/gripes-resfriados-use-guarda-sol-269820/

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BiodiversaLiana John

Liana John é jornalista ambiental. Escreve sobre conservação, mudanças climáticas, ciência e uso racional de recursos naturais há quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do país. Ao somar entrevistas e observações, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metrópoles tem alguma espécie nativa em sua rotina diária, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspiração ou base para novas tecnologias. É disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas opções, eventualmente, protegem a biodiversidade.

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