Cássio Vasconcelos
No dia 1º de outubro de 2006, Srur espalhou cem caiaques “conduzidos” por 150 manequins em um trecho do rio Pinheiros, no centro da capital paulista
Eduardo Srur
A cidade, a constituição de um olhar sobre a cidade e o opressivo e encantador binômio carregar/descarregar são os elementos que Eduardo Srur usa como matéria no projeto Caiaques, uma intervenção urbana na qual a obra é menos aquilo que pode ser visto, mas, e essencialmente, o que pode ser ouvido
Eduardo Srur
Esquecer um objeto, uma questão histórica e social ou um marco urbano é sempre resultado de um esforço coletivo, uma energia dirigida para uma única função, que é exatamente a de eliminar qualquer ação energética desse espaço na cidade; ele deve, de todas as maneiras, desaparecer
Rogério Canella
Srur se propõe a criar uma situação na qual seja possível eliminar a barreira da invisibilidade a fim de que esse elemento moribundo, em estado de dissipação, possa ser recarregado de um potencial de reflexão
Eduardo Nicolau
Seus caiaques sobre a água funcionam como verdadeiras linhas de força, criando uma luminosidade em torno do rio e das escolhas feitas pela cidade e seus cidadãos – por essas linhas é possível observar essa parte maldita sendo devolvida ao imaginário da cidade
Eduardo Nicolau
As cidades podem ser imaginadas, projetadas, executadas, mas seu funcionamento, seus regimes de força são determinados a partir de uma cartografia emocional
Eduardo Srur e Wagner Kiyanitza
Os preparativos para a intervenção urbana em um rio poluído que serve de moradia a capivaras. Eduardo Srur navega pelo rio Pinheiros retratando sua obra
Eduardo Srur e Rogério Canella
Os manequins são modificados para segurar o remo do caiaque. A equipe solta os barcos no rio e sai para registrar os momentos da travessia
Eduardo Srur
O Pinheiros se torna uma “metáfora” sobre a nação, sobretudo com a imagem de caiaques encalhados no lixo do rio, em um formato “lembrando” o mapa do Brasil
Wagner Kiyanitza
Quando o rio Pinheiros reaparece, ele ressurge no papel de objeto do passado ou do futuro, e nunca do presente, como se dissesse respeito a um cidadão de outra parte e o lixo não fosse resultado de um projeto de civilização
Wagner Kiyanitza
Mesmo que os caiaques tenham sido retirados do rio, eles, de alguma maneira, continuam visíveis. Não se trata mais do que a cidade dá, mas sim do que ela, à força, retira
Alexandre Schneider
Eduardo Srur, com sua ação, uma construção impermanente, coloca a cidade em xeque, cria uma zona de conflito